A franquia Chaves continua gerando fenômenos na internet. Jhony Stark, criador de conteúdo de 41 anos formado em marketing, vem usando inteligência artificial para recriar cenas do clássico mexicano como se existissem no mundo real, e o resultado viraliza em forma de curtas nas redes sociais.
O fenômeno dos vídeos de IA recriando séries clássicas

Desde que ferramentas de geração de vídeo por inteligência artificial se tornaram acessíveis ao público geral, criadores de conteúdo exploram maneiras criativas de reinterpretar produções antigas. A tendência de recrear momentos históricos em primeiro plano viralizou no TikTok, com criadores usando IA para simular como seria viver em determinadas épocas. Da mesma forma, Chaves ganhou novo fôlego nesse contexto: vídeos que reimaginam a série mexicana como um drama realista já acumulam dezenas de milhões de visualizações.
Jhony Stark e o projeto de recriar o universo de Chaves

Jhony Romano, conhecido como Jhony Stark, é o responsável pela maior parte desse conteúdo. Com 41 anos e formação em marketing, ele trabalha há cerca de 20 anos com tecnologia, informação e publicidade. Segundo reportagem de O TEMPO publicada em setembro de 2026, seus vídeos acumulam aproximadamente 50 milhões de visualizações nas redes sociais.
O projeto nasceu de uma conexão pessoal genuína com a série. "Sou superfã. Desde a infância, cresci vendo Chaves. Faz parte da minha cultura, da minha construção. Minha conexão emocional com ele é muito grande", contou Jhony em entrevista.
As histórias que Chaves nunca contou

Uma parte significativa dos vídeos de Jhony Stark explora lacunas narrativas deixadas pela série original. No projeto batizado de "Chaves Origens", ele recria acontecimentos dos personagens antes de chegarem à vila. Como Seu Madruga acabou naquele lugar? O que acontecia na vida de Dona Clotilde antes? Essas perguntas que fãs carregam por décadas ganham resposta através da IA.
Para construir as narrativas, Jhony recorre a referências além do que foi televisionado. Ele consulta "O Diário do Chaves", livro de 1995 escrito por Roberto Gómez Bolaños (criador original), para respeitar os elementos canônicos dos personagens. Segundo ele, "Tem muita história aberta, muita coisa que a gente gostaria que tivesse tido uma continuidade, e não teve. Tivemos apenas aquelas esquetes de humor que encantaram tanto a gente durante a nossa infância".
Do realismo ao formato vlog

Recentemente, Jhony experimentou novos formatos. Nos vídeos mais recentes, personagens como Seu Madruga seguram a câmera e falam direto com o público, imitando a linguagem de vlogs e reels que dominam as plataformas atuais. Assim, a vila ganha uma camada contemporânea sem perder as características originais dos personagens.
"Agora, adicionei uma linguagem nova, como se eles estivessem fazendo um vlog. Também estou acrescentando algumas esquetes, sempre procurando respeitar os personagens, a identidade deles e aquilo que cada um falaria de verdade", explica.
Chaves como patrimônio cultural e nostalgia
O sucesso desses vídeos reflete um fenômeno cultural bem documentado: Chaves segue sendo um patrimônio afetivo coletivo no Brasil e em toda a América Latina. A série conquistou gerações por abordar temas cotidianos de forma simples e identificável, criando uma zona de conforto emocional que atravessa décadas. Pesquisadores tratam Chaves como objeto de estudo acadêmico para discutir desigualdade social, representação urbana e cultura latino-americana.
Os vídeos de Jhony Stark tocam exatamente nesse ponto: permitem que fãs revisitem o universo que amam, mas através de uma lente moderna e imersiva.
Crescimento viralizante e reconhecimento
O crescimento em números foi expressivo. Quando Jhony começou a publicar os vídeos com a temática de Chaves, sua base de seguidores disparou de cerca de 160 mil para aproximadamente 300 mil. O conteúdo é republicado constantemente por outras contas, páginas de portais e perfis de fofoca, expandindo ainda mais o alcance.
Além da audiência geral, o projeto recebeu apoio de figuras ligadas ao universo de Chaves. Esteban Valdés, filho de Ramón Valdés (que interpretou Seu Madruga na série original), colabora ativamente em alguns vídeos. Para Jhony, isso representa um reconhecimento da forma como tenta preservar a memória dos personagens.
O futuro do projeto e a questão de licenciamento
Ainda que sem autorização oficial, Jhony afirma que conteúdo seu já chegou a pessoas ligadas ao Grupo Chespirito (detentor dos direitos de Chaves). "Sei que algumas esquetes chegaram ao Grupo Chespirito. Eles viram e não falaram nada. Aparentemente, algumas pessoas do grupo até gostaram", contou.
Ele está em busca ativa de um licenciamento para continuar o trabalho de forma oficializada. "Se conseguir um licenciamento, vou me sentir o cara mais rico do mundo, porque vou poder produzir muito conteúdo com eles", afirma com otimismo.
O fenômeno dos vídeos com IA recriando Chaves representa um ponto de encontro entre nostalgia, criatividade digital e a capacidade das comunidades de manter vivas as histórias que amam.
Fontes
- Chaves ganha novas histórias e até "vlogs" em vídeos criados com inteligência artificial — O TEMPO — 2026-09-23
- Os motivos que fizeram de "Chaves" fenômeno cultural no Brasil e parte da memória afetiva dos fãs — Revista Fórum — 2026-02-05
- TikTokers usam IA para recriar os melhores (e piores) momentos da história — Fast Company Brasil — 2025-02-21
- Chaves: tudo sobre a série mexicana que marcou gerações — Canaltech — 2025-08-19
- Por que Chaves faz tanto sucesso até hoje no Brasil? — TecMundo — 2025-10-13
- Como modelos de IA geram vídeos? — MIT Technology Review Brasil — 2025-09-26


