Aos 95 anos, dona Altina de Souza tomou uma decisão que mudaria sua vida: voltaria para a escola. Não era voltar para qualquer banco de aula, mas para aprender aquilo que lhe foi negado na infância: ler e escrever. Sua motivação tinha um alvo bem específico: conseguir ler a Bíblia sozinha.
A história real de dona Altina

A história que circula nas redes sociais é verdadeira. Dona Altina de Souza, uma aposentada, começou a frequentar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Municipal de Ensino Fundamental Manoel Vieira Lessa, localizada em José de Anchieta II. A proximidade da escola com sua casa facilitou a decisão: ela conseguia ir às aulas todos os dias.
Seu objetivo era simples, mas profundo: aprender a ler para estudar a Bíblia por conta própria. Uma meta concreta que transformou um desejo antigo em um propósito claro para suas aulas.
EJA e o analfabetismo de idosos no Brasil

O caso de dona Altina não é isolado. A Educação de Jovens e Adultos atende milhões de brasileiros que não tiveram acesso à educação básica ou não conseguiram concluir os estudos na idade prevista. A modalidade oferece alfabetização até ensino médio, permitindo que jovens, adultos e idosos retomem uma trajetória educacional interrompida.
O Brasil tem um grande contingente de idosos analfabetos. Estudos apontam que "há um grande número de pessoas analfabetas com idade acima de 60 anos" no país, um problema que se entrelaça com questões históricas e estruturais de acesso à educação.
Historicamente, a EJA ocupou posição marginal nas políticas públicas brasileiras. A primeira iniciativa do governo federal nessa área foi criada em 1947, com o Serviço de Educação de Adultos. Muito tempo depois, em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) reconheceu a EJA como modalidade da educação básica e um direito do cidadão.
A importância de aprender sem limite de idade
Histórias como a de dona Altina mostram que a idade não precisa ser barreira para a educação. Outros idosos também buscam nas salas de aula a oportunidade de realizar sonhos guardados por décadas. Um homem de 91 anos no Piauí começou a aprender a ler após uma vida inteira sem essa oportunidade. Na mesma época, um idoso de 92 anos em Belo Horizonte retomou seus estudos com a mesma determinação.
Para os idosos, envolver-se com educação traz impactos que vão além do aprendizado formal. Estudar oferece nova motivação para viver, melhora a integração social e contribui para a saúde mental. A realidade está mostrando que o aumento da presença de pessoas com mais de 60 anos nas salas de aula e nas universidades prova que a educação continua fazendo parte da vida em qualquer idade.
Um direito conquistado
Dona Altina representa uma luta maior: a luta pelo direito à educação que foi historicamente negado a muitos brasileiros. Seu sonho de ler a Bíblia sozinha não é apenas pessoal, é um ato de resistência contra a exclusão educacional. Cada dia na sala de aula é um passo para recuperar tempo perdido e conquistar autonomia.
Fontes
- Idosa de 96 anos volta à escola para realizar sonho de ler a bíblia — ManuaCu News — 2026-09-15
- Idoso de 92 anos realiza sonho de concluir os estudos em Belo Horizonte — BH 24 Horas — 2026-09-30
- A IMPORTÂNCIA DE ALFABETIZAR LETRANDO O IDOSO — Redalyc - Repositório de Revistas Acadêmicas — 2015
- Nunca é tarde para aprender: educação na terceira idade — NT4 GBI — 2026-09-09


