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Comportamento · Música

O funk domina 50% das preferências da Geração Z, e as mães de todo o Brasil continuam sem entender nada

Enquanto trap e funk dominam os fones dos jovens brasileiros, pais e mães seguem perplexos com as letras. O gap musical entre gerações é real e tem dados pra provar.

Publicado em 25 de junho de 2026 · 2 fontes verificadas
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O funk domina 50% das preferências da Geração Z, e as mães de todo o Brasil continuam sem entender nada
Imagem: Reprodução / SBT News

Uma mãe que filma o próprio espanto ao ouvir a playlist do filho resume, em poucos segundos, uma tensão que já atravessa décadas: cada geração acha que a anterior não entendia de música, e a seguinte confirma a teoria na prática.

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O que os jovens estão ouvindo (e por que isso desorienta os mais velhos)

Diferença geracional: trend nas redes sociais mistura trap e anos 90
Imagem: SBT News · Imagem: SBT News

Não é exagero e nem frescura. Segundo levantamento da Bananas Music publicado em 2024, que cruzou o top 20 de artistas mais ouvidos no Spotify com a base de fãs majoritariamente jovem no Instagram, 50% dos artistas favoritos da Geração Z no Brasil se concentram no funk. Outros 35% estão no trap, subgênero do rap com batidas mais pesadas e letras que transitam entre conquistas pessoais, vida nas comunidades e relacionamentos. Pop aparece com 10%, e o sertanejo, o gênero mais ouvido do país em geral, representa apenas 5% entre os jovens da Gen Z.

Para quem cresceu ouvindo Roberto Carlos, Legião Urbana ou até o pagode dos anos 90, essa virada de mesa é difícil de digerir. Os nomes que dominam os fones dos jovens hoje, como MC Ryan SP, Filipe Ret, Veigh, L7NNON e MC PH, soam como código secreto para boa parte dos pais brasileiros.

Um fenômeno com histórico

O Rap Entre Gerações: Conflito ou Evolução?
Imagem: Rádio West Side · Imagem: Rádio West Side

O desentendimento geracional em torno da música não é novidade. No rap e no hip-hop, por exemplo, o debate sobre "o que é música de verdade" bate nos mesmos pontos há décadas. Matéria da Rádio West Side observa que cada nova leva de artistas traz uma estética diferente que costuma incomodar a geração anterior, do G-funk ao trap, do trap ao funk paulistano. A tensão entre quem estabeleceu o estilo e quem o reinventou é parte constitutiva da cultura popular.

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Mais recentemente, uma trend global no TikTok escancarou esse gap de forma visual: numa mesma cena, uma pessoa mais velha cantava um clássico dos anos 90, e outra, mais jovem, respondia com rap dos anos 2010. O áudio chegou a mais de 1 milhão de vídeos postados na plataforma, segundo o SBT News, com participação de celebridades como Jennifer Lopez, Kylie Jenner e Jimmy Fallon.

Por que a reação da mãe vira meme

Há um mecanismo psicológico bem definido aí. A música que ouvimos na adolescência e início da vida adulta fica associada a memórias afetivas intensas. Quando o filho coloca algo radicalmente diferente, o incômodo não é só estético, é quase existencial. A estranheza da letra, o tempo da batida, a forma de cantar: tudo parece um idioma novo.

A Geração Z, por sua vez, cresceu com a internet moldando suas descobertas musicais. Conforme aponta o relatório Culture Next do Spotify Advertising, citado pelo levantamento da Bananas Music, a Gen Z consumiu 76% mais música no primeiro semestre de 2023 na plataforma em relação ao ano anterior. O volume é enorme, a variedade também, e a velocidade com que trends musicais aparecem e somem deixa qualquer pessoa de fora do loop completamente perdida.

O gap que une

Curiosamente, o confronto entre gerações musicais também pode virar ponto de encontro. A trend do TikTok que misturou trap e clássico dos anos 90 não dividiu as pessoas: acabou virando um exercício coletivo de reconhecimento mútuo. Pais e filhos, cada um cantando o que sabe, e os dois encontrando uma risada no meio do caminho.

A mãe que franze o cenho ao ouvir funk no volume máximo e o filho que não consegue explicar por que gosta daquilo fazem parte da mesma dinâmica de sempre: a música muda, o estranhamento continua, e a conversa segue valendo.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting:

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