A panela ainda soltava vapor. Dentro dela, uma galinha caipira inteira, no fogão de barro, no meio do mato piauiense. Faltava só o cozinheiro, que tinha visto a viatura chegar antes da própria fome bater.
A cena que rodou os grupos de WhatsApp
O vídeo gravado pelo delegado Charles Pessoa, da Draco (Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) do Piauí, mostra um cenário que mistura cozinha do interior com flagrante policial: telhado de palha, paredes de tijolo aparente, um fogão a lenha aceso e uma panela grande borbulhando com galinha caipira. O suspeito que preparava o almoço não estava em lugar nenhum. Tinha fugido às pressas ao notar a chegada da equipe, segundo reportagem da Conexão TV Web, que descreve o flagrante como uma situação inusitada registrada durante uma operação no estado.
A frase do delegado que circulou junto com as imagens resume o tom: quem escolhe o caminho do crime, segundo ele, não tem tranquilidade nem pra preparar um almoço. O detalhe da galinha no fogo virou o gancho que fez o vídeo escapar do circuito policial e cair no humor de internet, com gente debatendo se a fuga valia a pena ou se era melhor terminar de comer.
Quem é o delegado do vídeo
Charles Pessoa não é figura desconhecida no Piauí. Ele coordenava o Draco, departamento que concentra as operações contra facções criminosas no estado, e tem perfil ativíssimo nas redes sociais, com centenas de milhares de seguidores acompanhando as ações da equipe. O nome dele apareceu também em registros oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, em ocasião na qual um casal foi preso por ameaçá-lo via mensagem direta no Instagram, mostrando o tamanho da exposição que o delegado acumulou nos últimos anos.
Em maio de 2026, ele deixou a coordenação do Draco. Segundo o Cidade Verde, a saída foi confirmada pela cúpula da Polícia Civil do estado.
Por que esse tipo de vídeo virou polêmica
O flagrante da galinha caipira no fogão entra numa série maior de gravações divulgadas por Charles Pessoa durante operações: presos algemados, casas revistadas, suspeitos sendo abordados. Esse modelo de comunicação rendeu uma reação institucional. O Ministério Público do Piauí publicou recomendação formal pedindo que o delegado deixasse de divulgar imagens de pessoas presas, investigadas ou em situações vexatórias, conforme noticiou o Cidades em Foco.
O documento do MPPI lista uma série de vedações: nada de interrogatórios, confissões, imagens de pessoas sem camisa, estratégias operacionais ou uso de fardamento e viaturas pra fins promocionais. A recomendação também pediu que a Secretaria de Segurança Pública regulamentasse o uso de redes sociais por toda a Polícia Civil. O caso da galinha caipira, embora não mostre nenhuma pessoa identificável, ilustra exatamente o tipo de conteúdo em torno do qual essa briga se desenrola: o tom é mais de quadro de humor do que de boletim de ocorrência.
E a galinha?
No vídeo, o destino da ave fica em aberto. A panela seguia no fogo quando os policiais chegaram, e o vídeo termina sem informação sobre o que aconteceu com o almoço. A reportagem da Conexão TV Web também não detalha se houve apreensão de algo na casa além da própria cena gastronômica abandonada. O que se sabe é que o morador, identificado apenas como suspeito investigado pela equipe, escapou antes de servir o prato e antes de aparecer no enquadramento da câmera.








