A cena de alguém idoso completamente absorto em um jogo no celular durante uma viagem de ônibus pode parecer inusitada, mas representa um fenômeno real: jogadores acima de 60 anos não são mais exceção na indústria dos videogames.
Idosos na indústria dos games
O videogame durante décadas foi associado exclusivamente a crianças e adolescentes. Mas dados do mercado global e brasileiro mostram uma realidade diferente: pessoas acima de 50 anos representam um segmento cada vez maior de jogadores.
Segundo relatório da Entertainment Software Association (ESA), adultos acima de 50 anos compõem aproximadamente 26% dos jogadores nos EUA. No Brasil, a Pesquisa Game Brasil 2024 aponta que 41% dos jogadores têm 25 anos ou mais, com uma parcela significativa ultrapassando os 40.
Por que idosos estão aderindo aos jogos
O crescimento não é por acaso. Celulares e tablets facilitaram o acesso a jogos casuais e multiplayer. Títulos como Free Fire, PUBG Mobile e jogos de puzzle tornaram-se populares entre pessoas mais velhas porque exigem menos investimento inicial (apenas um smartphone) e podem ser jogados em qualquer lugar: ônibus, sala de espera, filas.
Além disso, estudos indicam que jogos beneficiam a saúde cognitiva de idosos. Pesquisa publicada pela Universidade de Rochester mostrou que games podem melhorar concentração, memória e até reduzir riscos de declínio cognitivo em pessoas mais velhas.
Um fenômeno global
A mudança de percepção sobre quem joga videogame não é exclusiva do Brasil. Em 2023, a AARP (organização americana focada em idosos) divulgou que 28% dos americanos acima de 50 anos jogam videogames regularmente. Na Europa, dados similares apontam para a mesma tendência.
O que antes era visto como frívolo ou "coisa de criança" agora é reconhecido como forma legítima de lazer, socialização e até reabilitação. Cenas como a de uma avó concentrada em uma partida de Free Fire no ônibus deixam de ser curiosidade viral para virar normalidade.


