Um papagaio verde foi flagrado cambaleando no chão de uma lavoura de cacau em Ji-Paraná, no interior de Rondônia. O agricultor Oseias Duarte gravou tudo: a ave comeu a polpa de frutos fermentados e simplesmente não conseguiu mais decolar.
O que aconteceu em Ji-Paraná

O vídeo foi gravado pelo agricultor Oseias Duarte numa plantação de cacau em Ji-Paraná, Rondônia. Um papagaio verde aparece no chão, com movimentos lentos e descoordenados, sem conseguir levantar voo. A explicação do próprio Oseias foi direta: o cacau cai, fermenta rápido com o calor amazônico e o cheiro atrai os pássaros. O que ele não esperava era documentar o resultado tão claramente.
Segundo reportagem do Terra, um especialista consultado confirmou que o fenômeno ocorre com certa frequência: "Pode ocorrer isso com até uma certa frequência devido à fermentação. As aves têm o organismo mais sensível aos efeitos do álcool, que é bem rápido e passageiro."
Como a fermentação vira álcool no prato do papagaio

Cacau maduro tem polpa rica em açúcar. Quando o fruto cai ou fica exposto no calor, leveduras naturais presentes no ambiente começam a agir sobre esses açúcares num processo chamado fermentação alcoólica, o mesmo que transforma uva em vinho ou cana em cachaça. O resultado é etanol, o mesmo composto presente em qualquer bebida alcoólica.
O papagaio não sabe disso. Ele vê (e cheira) uma fonte de alimento e come. O problema é que o metabolismo das aves é consideravelmente mais sensível ao etanol do que o dos mamíferos. Pequenas doses já provocam efeitos perceptíveis: perda de coordenação motora, dificuldade de voo, sonolência e desorientação. O estado é temporário, mas coloca o animal em risco porque ele fica vulnerável a predadores enquanto dura o efeito.
Segundo apuração do Portal Amazônia, especialistas ressaltam que, embora a hipótese da intoxicação alcoólica seja a mais provável, não se pode descartar completamente algum problema de saúde preexistente na ave, já que o diagnóstico definitivo exigiria exame clínico.
Animais bêbados: um fenômeno mais comum do que parece

O caso do papagaio de Rondônia não é um episódio isolado na natureza. Um estudo publicado em 2024 e reportado pelo ND Mais aponta que animais selvagens consomem frutas fermentadas com etanol com regularidade, e que muitas espécies desenvolveram ao longo da evolução mecanismos para metabolizar o álcool com mais eficiência. Aves, morcegos e mamíferos frugívoros estão entre as espécies mais frequentemente expostas.
A National Geographic Brasil já documentou casos semelhantes: cervos comendo maçãs fermentadas, alces encontrados cambaleando perto de árvores frutíferas, e pássaros que perdem a coordenação após consumir néctares em fermentação. O padrão é sempre o mesmo: o animal busca a fruta pelo valor calórico e energético, sem perceber que o processo fermentativo já transformou parte dos açúcares em etanol.
No Brasil, o cacau é especialmente suscetível porque fermenta rapidamente no calor e na umidade da Amazônia. Não por acaso, a fermentação controlada do cacau é justamente a etapa que dá origem ao chocolate: produtores colocam os frutos abertos em caixas por dias para que o etanol e os ácidos transformem a semente amarga numa matéria-prima saborosa. Na lavoura aberta, esse mesmo processo acontece de forma espontânea nos frutos caídos.
O papagaio ficou bem?

O vídeo de Oseias não registra nenhuma intervenção humana, e os especialistas consultados pela imprensa indicam que o efeito é passageiro. A ave provavelmente se recuperou sozinha após algumas horas, quando o organismo metabolizou o etanol. O risco real é esse intervalo de vulnerabilidade, especialmente em áreas com presença de predadores, mas não há relato de morte ou resgate neste caso específico.
Fontes
- Papagaio bêbado? Vídeo de ave 'tonta' após comer cacau fermentado viraliza — Terra — 2026
- Papagaio fica "bêbado" após consumir cacau fermentado em área agrícola — Tribuna de Minas — 2026-03-31
- Papagaio comeu cacau fermentado em Rondônia e ficou 'tonto' — Portal Amazônia — 2026-04-07
- Animais selvagens ficam 'bêbados' mais do que imaginamos, aponta estudo — ND Mais — 2024-10-31
- Os animais ficam bêbados? — National Geographic Brasil — 2023-02








