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Curiosidades · Animais

O 'tubarão da água doce': por que a pirarara é capaz de tentar engolir uma iguana inteira

A pirarara, bagre gigante da Amazônia apodado de 'pit bull da água doce', tem dieta tão eclética que inclui frutas, aves, caranguejos e pequenos répteis. Entenda por que o comportamento surpreende, mas não é novidade pra ciência.

Publicado em 25 de junho de 2026 · 4 fontes verificadas
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O 'tubarão da água doce': por que a pirarara é capaz de tentar engolir uma iguana inteira
Imagem: Reprodução / MF Magazine

Uma pirarara com a boca aberta tentando engolir uma iguana pode parecer cena de outro planeta, mas quem conhece o apetite desse bagre amazônico sabe que a surpresa é menor do que parece.

O 'pit bull da água doce'

Pirarara: tudo sobre essa espécie de peixe
Imagem: MF Magazine · Imagem: MF Magazine

A pirarara (Phractocephalus hemioliopterus) é um dos maiores bagres de água doce da América do Sul. Pode ultrapassar 1,50 metro de comprimento e pesar mais de 50 quilos, com uma cabeça larga, ossos fortes e aquela cauda de vermelho-sangue que a torna inconfundível. Pescadores a conhecem pelos apelidos: 'tubarão da água doce', 'pit bull', 'peixe-arara' (é disso que vem o nome, do tupi pirá + ara, ou seja, 'peixe colorido como arara').

O que torna a pirarara tão temida não é só o tamanho. É o apetite sem critério.

Uma dieta sem fronteiras

Conheça a Pirarara do Alto Rio Trombetas
Imagem: Fishing Rio Trombetas · Imagem: Fishing Rio Trombetas

Ao contrário do que muitos pescadores imaginam, a pirarara não é carnívora estrita. Segundo o portal Pesca Esportiva, ela é classificada como onívora e predadora oportunista: come preferencialmente peixes, mas também ingere frutos caídos nas épocas de cheia, invertebrados aquáticos como caranguejos e camarões, pequenos mamíferos e, sim, pequenos répteis, incluindo filhotes de tartaruga.

A MF Magazine confirma essa amplitude: a pirarara "come vários alimentos, desde frutas até aves e caranguejos" e pode consumir até animais mortos e peixes em decomposição. No site especializado Seriously Fish, a espécie é descrita como "quite an opportunistic feeder in nature", atacando qualquer animal menor que esteja ao alcance.

A lógica é simples: a boca da pirarara é grande o suficiente para engolir presas com metade do seu próprio tamanho. O que entra no campo de visão e cabe na boca, vira candidato a refeição.

Répteis no cardápio: não é anomalia

Iguanas são répteis relativamente comuns às margens de rios e igarapés amazônicos. Quando caem na água ou se aproximam demais da margem, tornam-se presas potenciais para qualquer predador oportunista de grande porte. A pirarara, que caça por emboscada e aguarda pacientemente no fundo até a oportunidade aparecer, está entre os primeiros candidatos a esse encontro.

O portal Fishing Rio Trombetas detalha esse comportamento: "ela é uma predadora oportunista, frequentemente aguardando pacientemente em seu esconderijo até que uma oportunidade de caça se apresente".

Uma iguana adulta de tamanho médio é um desafio, claro. A tentativa de engolir não é garantia de sucesso, mas o instinto de tentar faz parte do repertório da espécie.

Nove milhões de anos de aprendizado

Registros fósseis indicam que a pirarara habita a América do Sul há mais de nove milhões de anos, segundo a MF Magazine. Nesse tempo todo, aprendeu a aproveitar cada oportunidade alimentar que o rio oferece, sejam frutos da mata alagada na cheia, sejam répteis descuidados na margem. Essa flexibilidade dietética é, provavelmente, um dos motivos pelos quais a espécie sobreviveu por tanto tempo.

O 'tubarão da água doce' não escolhe muito. E quando algo entra no raio de alcance da sua boca, as chances de virar jantar aumentam consideravelmente.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting:

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