Na manhã de 16 de julho, um adolescente de 16 anos chegava para começar seu expediente como jovem aprendiz numa loja de autopeças em Catalão, no sudeste de Goiás. Minutos depois de sua chegada, uma viatura da Polícia Militar estacionava em frente ao estabelecimento. O que se seguiu foi registrado pelas câmeras de segurança do local: o 2º sargento Ricardo Lima Nascimento invadiu a loja, agredi o jovem com tapas, o empurrou contra a parede e, aos berros, o ameaçou de morte.
A alegação absurda como justificativa

A explicação do policial para o ataque era simples: "Por que você estava me encarando?". Aos gritos e sem sequer ouvir a resposta do jovem, o militar prosseguia com as agressões. Na sequência das imagens, é possível ver o adolescente, assustado e acuado, tentando explicar: "Eu não te encarei, senhor. Eu só vim trabalhar". Ainda assim, as ações violentas continuaram.
Os detalhes captados pelas câmeras

As gravações mostram com clareza cada momento do episódio. O sargento entra no estabelecimento chutando o balcão de atendimento, vai em direção à vítima e passa a desfrir tapas no rosto do adolescente. Depois o pressiona contra a parede e o derruba no chão. Durante toda a abordagem de aproximadamente cinco minutos, o policial faz ameaças diretas: "Você tem que morrer. Se você olhar para mim de novo, na sua vida, eu vou te matar. Você vai assinar sua sentença de morte."
Em um momento particularmente grave, o militar saca sua arma de fogo e a aponta para o rosto do adolescente ainda caído no chão. Ele também questiona o jovem se integra alguma facção criminosa, e ordena que ele saia de Catalão para não encontrá-lo novamente: "Se eu te achar de novo, eu te mato".
A vítima permaneceu caída na loja por cerca de uma hora após o episódio. Segundo relato de sua mãe, o adolescente sofreu ferimentos no rosto e nas costelas.
A resposta institucional

O sargento Ricardo Lima Nascimento foi preso em flagrante e encaminhado ao Presídio Militar de Goiás, onde permaneceu à disposição da Justiça. A Polícia Militar de Goiás, ao ser notificada pelos vídeos que circulavam nas redes sociais, instaurou imediatamente procedimentos legais, administrativos e disciplinares para apurar a conduta do agente.
Em nota oficial, a corporação afirmou que "não coaduna com qualquer desvio de conduta praticado por seus integrantes" e reafirmou seu compromisso com a transparência e o cumprimento da legislação. O advogado que representa o policial, Everson Rosa da Silva, informou estar aguardando autorização do cliente para se pronunciar.
A família do adolescente registrou boletim de ocorrência e cobra a responsabilização integral do policial pelo caso.


