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Comportamento · Direito

Chamada de 'sobrancelha de cobra', mulher vai à delegacia: xingamento pode mesmo virar caso de polícia?

Apelido ofensivo sobre aparência física pode ser enquadrado como injúria, crime contra a honra previsto no Código Penal. O caso levanta dúvidas reais sobre o limite entre brincadeira e ofensa.

Publicado em 28 de junho de 2026 · 1 fontes verificadas
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Chamada de 'sobrancelha de cobra', mulher vai à delegacia: xingamento pode mesmo virar caso de polícia?
Imagem: Reprodução / Escola Paulista de Direito (EPD)

Uma mulher decidiu registrar boletim de ocorrência após ser chamada de "sobrancelha de cobra" por um garoto. O caso viralizou e reacendeu uma pergunta que mais gente deveria saber responder: xingamento sobre aparência física é crime no Brasil?

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Apelido ofensivo vira BO. Isso faz sentido juridicamente?

Difamação, calúnia e injúria: entenda a diferença
Imagem: Escola Paulista de Direito (EPD) · Imagem: Escola Paulista de Direito (EPD)

A cena parece cômica à primeira vista: uma mulher irritada, indo a uma delegacia registrar ocorrência porque foi chamada de "sobrancelha de cobra". Mas antes de rir, vale entender o que diz a lei, porque a resposta pode surpreender.

No Brasil, xingamentos que atacam diretamente a dignidade de uma pessoa podem configurar injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal. Ao contrário do que muita gente imagina, não é preciso divulgar uma mentira ou acusar alguém de crime. Basta que a ofensa atinja a autoestima ou o decoro da vítima, seja de forma verbal, escrita ou gestual.

Exemplos citados por especialistas incluem chamar alguém de "incompetente", "preguiçoso" ou usar expressões pejorativas sobre a aparência. Um apelido repetido com intenção de humilhar pode, sim, ser enquadrado nessa categoria.

O que separa a "zoeira" do crime?

A distinção está no que os juristas chamam de animus injuriandi, ou seja, a intenção de ofender. Uma piada entre amigos com consentimento implícito é diferente de um xingamento direcionado e hostil. Mas essa linha é mais tênue do que parece, e cabe à Justiça analisar o contexto caso a caso.

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Segundo informações da Escola Paulista de Direito, a injúria se distingue dos outros crimes contra a honra justamente porque não exige divulgação pública. "Mesmo uma mensagem privada pode configurar injúria, dependendo do teor e da intenção do remetente", aponta o material.

A pena prevista para injúria simples é de detenção de um a seis meses, ou multa. O crime é de ação penal privada: a vítima precisa apresentar queixa-crime dentro de seis meses a partir do momento em que souber quem é o autor. O boletim de ocorrência é, portanto, o primeiro passo formal recomendado, como orienta a Polícia Civil do Distrito Federal.

Quando o ofensor é criança ou adolescente?

Aqui a coisa complica. O Código Penal não se aplica a menores de 18 anos da mesma forma, já que eles são inimputáveis. Um garoto que xinga um adulto não responde criminalmente, mas pode ser responsabilizado via Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ou, dependendo do caso, os pais podem ser acionados civilmente por danos morais.

O Senado federal já discutiu, inclusive, penas mais severas para crimes contra a honra praticados contra crianças e adolescentes, conforme noticiado pelo próprio Senado em 2018. O caminho inverso, adultos ofendidos por menores, não tem o mesmo tratamento criminal, mas não é necessariamente sem saída.

Zoeira tem limite, mas a lei tem nuances

O caso da "sobrancelha de cobra" não é necessariamente fútil do ponto de vista legal: a conduta pode, em tese, ser analisada como injúria, dependendo do contexto, da intenção e de quem é o autor. Mas a execução prática, especialmente quando o ofensor é um garoto, esbarra em limites reais do Direito Penal brasileiro.

O que fica de ensinamento: registrar um boletim de ocorrência por ofensas é um direito legítimo, reconhecido pelo próprio sistema policial. A delegacia existe para isso também, e a piada que "não quis machucar" pode ter consequências reais dependendo de como foi dita e por quem.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting:

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