A surpresa de um passageiro diante do valor cobrado por um café em aeroporto não é reação exagerada. Pesquisas e reportagens têm documentado que aeroportos brasileiros e internacionais praticam preços que podem ser até 400% maiores que o comércio fora do terminal.
Por que é tão caro?

Os preços altos em aeroportos não são coincidência. Passageiros em espera entre voos têm mobilidade reduzida e pouca margem de negociação para sair em busca de alternativas. Os estabelecimentos dentro dos terminais operam com custos muito superiores aos da rua: aluguel de espaço, concessões, impostos específicos e segurança.
Um estudo realizado pelo Instituto de Defesa do Consumidor alemão (vdfk) em 2015 mostrou que um café simples em aeroportos europeus custava em média 150% a mais que no comércio fora do terminal. Em casos de bebidas especiais, a margem podia chegar a 400%.
A realidade brasileira

No Brasil, a disparidade segue padrão parecido. Reportagens de jornais como Folha de S.Paulo e sites de economia têm recorrentemente documentado que passageiros pagam entre R$ 8 e R$ 15 por um café em terminais de São Paulo, Rio e Brasília, enquanto fora custaria entre R$ 3 e R$ 5.
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) não fixa preços, mas permite que operadoras e concessionários negociem livremente dentro dos terminais. Isso gera ambiente propício para prática de sobrepreço, já que a base de clientes é cativa durante o tempo de espera.
Reação viral como expressão legítima
A reação de susto e incredulidade frente aos preços de aeroporto é fenômeno documentado em redes sociais há anos. Passageiros brasileiros frequentemente compartilham imagens e vídeos expressando choque com valores cobrados. Esse padrão de comportamento é validado pelos dados: os preços são realmente muito altos em comparação ao que se paga em panificadoras, cafeterias e restaurantes comuns.
A desproporcionalidade é tão conhecida que alimenta piadas sobre "café de aeroporto com sabor de assalto", consolidando o lugar-comum na cultura de viagem brasileira.


