A senhora potiguar saiu de Mossoró com a passagem comprada por meio de uma rifa de anel de ouro e voltou da Coreia do Sul com a verdade na ponta da língua. Cleonice Calistrato, 77 anos, dorameira de longa data, sintetizou a frustração em uma frase que correu o país.
A senhora de Mossoró que rifou um anel pra conhecer a Coreia

Cleonice Calistrato, 77 anos, moradora de Mossoró (RN), virou personagem de viral nacional depois de contar, com a serenidade de quem aprendeu a falar a verdade na cara, o que achou da Coreia do Sul. Fã de doramas há anos, ela rifou um anel de ouro para bancar a passagem e finalmente conhecer o cenário das séries que assiste em sequência. A volta foi com sotaque de frustração: gostou da arquitetura, dos prédios, da cultura, mas não dos rapazes.
A frase que rodou o Brasil veio em entrevista à TV Z Brasil, segundo apuração do portal Mais Goiás: "Não gostei da comida, não gostei da temperatura. Muito homem feio e pequeno. É uma fartura horrível de homem pequeno e feio". O conselho de Cleonice para outras dorameiras, na mesma entrevista, foi direto: "Se vocês estão pensando em ir à Coreia, pensando que vão encontrar homens ao menos parecidos com os doramas, não vá, não vá porque vai se decepcionar".
A reportagem do JWave confirma a história e o tom da repercussão. Em janeiro de 2025, o depoimento se espalhou em vídeos curtos pelas redes, com gente rindo da franqueza e gente concordando com a constatação.
Por que tanta dorameira esperava outra coisa
A decepção de Cleonice tem explicação que vai além da piada. Reportagem do Revide, de Ribeirão Preto, ouviu fãs adultas dos k-dramas e mostra que parte do encanto é justamente o tipo físico e o comportamento construídos pelas produções. As entrevistadas falam de uma "masculinidade suave e não arrogante", de feições delicadas, pouca barba, gestos atenciosos. Os galãs citados como referência são Hyun Bin, Lee Min-Ho, Song Joong-ki, Park Seo-Joon, Kim Soo-Hyun, Lee Jung-Jae. Ou seja, atores escolhidos a dedo, maquiados, iluminados, dirigidos.
O que aparece na tela é elenco. O que aparece na rua é população. A diferença entre as duas coisas, em qualquer país do mundo, costuma ser brutal, e a Coreia não é exceção.
O Diário de Quixadá já tinha mapeado, em 2023, um movimento real de brasileiras viajando à Coreia em busca do romance que os doramas prometem. A matéria fala do estereótipo do homem educado, do "slow burn" dos roteiros, do beijo que demora dez episódios pra acontecer. É um padrão narrativo construído com calma e estética, não um retrato sociológico.
A franqueza que viralizou
Há um motivo extra pra fala de Cleonice ter funcionado tão bem nas redes. Ela não desmerece a Coreia inteira: elogia paisagem, prédios, cultura, particularidades gastronômicas. A crítica fica circunscrita a um ponto bem específico, a aparência média dos homens que cruzou na rua, e é entregue com aquela cadência potiguar de quem não tem mais idade para fingir entusiasmo. A combinação de óculos escuros, microfone na cara e veredicto curto deu o que o algoritmo gosta: emoção concentrada em quinze segundos.
Vale lembrar que se trata de opinião pessoal de uma turista, não de levantamento. A imagem coletiva dos coreanos do dia a dia não tem nada a ver com a curadoria estética da indústria audiovisual de Seul, que escolhe os bonitões justamente porque eles são exceção, lá como aqui. Mas a lição maior, essa Cleonice resumiu sem precisar de pesquisa: dorama é ficção, e o aeroporto de Incheon não desembarca galã.
O que fica
Cleonice voltou pra Mossoró sem o anel de ouro, mas com história pra contar pelo resto da vida. As redes ganharam um bordão. E a próxima dorameira a comprar passagem agora tem o aviso, na voz mais brasileira possível, de quem foi lá conferir e voltou pra contar.



