Na Europa, técnicos de futebol enfunados em ternos escuros já é tradição antiga. Carlo Ancelotti, Pep Guardiola, José Mourinho: todos entendem o terno como parte da sua assinatura profissional à beira do campo. Agora essa elegância atravessa modais e chega ao futsal brasileiro, onde um técnico se destaca comandando sua equipe com estilo europeu.
A moda europeia dos técnicos no esporte

O terno à beira do campo não é invenção nova. Desde o século passado, técnicos de futebol europeus adotam trajes sociais como uniforme de trabalho durante as partidas. A prática carrega um significado que vai além da estética: representa autoridade, foco total no jogo e uma certa frieza profissional.
Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, José Mourinho e Zinédine Zidane são exemplos consagrados. Todos vestem ternos ajustados, muitas vezes em tons neutros (grafite, azul-marinho, preto), e essa escolha virou tão marcante que define parte da identidade deles como treinadores. Mourinho, inclusive, afirmou em entrevista à GQ Portugal em 2020: "Me visto para ser ouvido sem falar".
Por que o terno funciona como linguagem?

Segundo consultor de estilo, os técnicos não aparecem como influenciadores de tendência, mas como árbitros de estilo. Quando todos os atletas usam uniforme padronizado, o técnico emerge como figura singular, vestido com elegância contida.
A autoridade da pessoa reforça a mensagem visual: se o técnico do maior time do mundo veste terno, comunica-se simultaneamente disciplina, controle e profissionalismo. A elegância silenciosa diz: "Eu comando — e nem preciso levantar a voz".
No futebol europeu, isso transcende vaidade. A escolha de traje social evidencia a postura adotada à beira do campo — zero extravagância ou dramaticidade. O visual padronizado em tons neutros, bem-cortado, funciona como extensão da leitura de jogo: estratégico, pensado, sem desperdício.
No Brasil, o terno ainda causa estranheza
Técnicos brasileiros de futebol raramente adotam ternos em campo. A prática ganhou força com Wanderley Luxemburgo e Mano Menezes em momentos pontuais, mas nunca se consolidou como norma.
Muitos estudiosos e críticos apontam desconforto. Num clima tropical e em ação dinâmica à beira da quadra, sapato social pisando na grama ou piso de futsal pode parecer deslocado. O futebol (e o futsal) brasileiro carregam uma lógica diferente: técnico em calça esportiva, camisa de clube, tênis robusto. Aquela imagem de Felipão ou Zagalo.
Mas quando um técnico de futsal surge de terno numa quadra — espaço ainda menor, mais próximo, mais quente — a referência aos técnicos europeus salta aos olhos. É ousadia estética, uma declaração silenciosa de que profissionalismo também tem roupa.
A elegância como ferramenta?
Os estudos acadêmicos mostram que treinadores brasileiros de futsal de elite consideram o profissionalismo um pilar central da sua competência, incluindo a forma como se apresentam. O futsal brasileiro é modalidade relevante no cenário internacional — conquistou títulos, mantém relevância competitiva.
Quem ouse vestir terno em quadra não busca apenas chamar atenção. Busca alinhar o visual à responsabilidade que carrega: liderar equipes com excelência tática e profissionalismo em todos os aspectos visíveis. É a elegância como extensão do discurso técnico.
Fontes
- Terno, sobretudo e Copa do Mundo: o raio-x do estilo de Carlo Ancelotti — Steal the Look — 2026-06-22
- Estilo à beira do campo: os técnicos mais estilosos do futebol — Metrópoles — 2025-03-28
- Treinadores de futsal brasileiros de elite: aspectos influenciadores da escolha da profissão — UFRGS - Revista Movimento — 2023-08-21


