No povoado Cantinho, zona rural de São Bernardo do Mearim (MA), uma nora chegou em casa e flagrou o vizinho da sogra despejando uma substância dentro de uma garrafa de água. A cena interrompeu o que a polícia descreve como uma tentativa de homicídio meticulosa, motivada, segundo o suspeito, pela morte de cinco cães de rua.
O que aconteceu em São Bernardo do Mearim

Francisco Negreiro de Sousa, de 72 anos, foi preso no início de março de 2026 acusado de tentar matar a vizinha Maria das Dores com chumbinho, no povoado Cantinho, zona rural de São Bernardo do Mearim, no Médio Mearim maranhense. A informação foi divulgada pelo Mirante News, do Grupo Mirante (afiliada da Globo no Maranhão), em reportagem assinada por Domingos Ribeiro.
Segundo a reportagem, o idoso entrou na casa da vizinha enquanto ela estava fora e espalhou o veneno em vários alimentos e recipientes. Em depoimento, ele confessou ter contaminado também o café e o açúcar da família. A polícia orientou os parentes a descartarem tudo.
A nora que chegou na hora errada (pra ele)
A tentativa só foi interrompida porque a nora de Maria das Dores apareceu em casa e flagrou Francisco no momento exato em que ele despejava chumbinho dentro de uma garrafa de água. O idoso fugiu para uma área de matagal próxima, mas foi capturado pouco depois.
Levado à 14ª Delegacia da Polícia Civil de Pedreiras, foi autuado por tentativa de homicídio. Em depoimento, alegou que agiu por vingança: afirmou que a vizinha teria envenenado cinco cachorros de rua da região, e ele teria decidido revidar com a mesma arma.
A versão do suspeito e o que falta confirmar
A acusação contra Maria das Dores partiu exclusivamente do próprio Francisco, no momento em que tentava justificar o crime. A reportagem do Mirante News não traz inquérito instaurado contra ela pela morte dos cinco animais, nem confirmação por outra testemunha. Ou seja: a parte da história sobre o envenenamento dos cães é, até agora, alegação do réu, não fato apurado pela polícia.
Esse detalhe importa porque muda completamente a leitura moral do caso. Boa parte da repercussão nas redes trata o idoso como uma espécie de justiceiro dos cães de rua, mas a versão oficial até aqui é mais simples: um homem entrou na casa da vizinha, espalhou veneno em comida e bebida e foi pego em flagrante.
Por que envenenar cachorro também é crime grave
Mesmo que a história contada por Francisco se confirme, isso não absolveria a vizinha de nada. Pelo contrário: matar animal doméstico no Brasil é crime tipificado.
A Lei nº 14.064/2020 endureceu as penas para maus-tratos contra cães e gatos. Hoje, quem é condenado por matar um desses animais pode pegar de 2 a 5 anos de reclusão, mais multa e proibição de ter outros bichos. Se o envenenamento causa a morte, a pena pode ser aumentada em até um terço. Já a venda e o uso de chumbinho, substância proibida no país desde 2012, configura crime contra a saúde pública, com pena que pode chegar a 15 anos.
Resumo prático: se a vizinha realmente matou os cinco cachorros, ela responde criminalmente. Se Francisco a envenenou (ou tentou), ele responde por tentativa de homicídio. Uma coisa não anula a outra.
O detalhe do chumbinho
O chumbinho é o apelido informal de um composto à base de carbamatos, geralmente aldicarbe ou terbufós, vendido clandestinamente como raticida. É a mesma substância que aparece em casos famosos de envenenamento em massa pelo Brasil, incluindo o caso do Piauí em que oito pessoas morreram após comer comida contaminada.
Em contato com a corrente sanguínea humana, age rápido, em minutos, e causa parada respiratória. Por isso o esforço da polícia em orientar a família a se livrar de qualquer alimento que tenha estado em contato com o veneno. Bastaria uma colherada de açúcar no café da manhã.
O que se sabe e o que ainda não se sabe
- Confirmado pelo Mirante News: prisão de Francisco, confissão, encaminhamento à delegacia de Pedreiras por tentativa de homicídio, flagrante da nora.
- Alegado pelo suspeito, sem confirmação: que a vizinha teria envenenado cinco cães de rua.
- Não divulgado até o fechamento desta matéria: se a Polícia Civil abriu apuração paralela sobre a morte dos animais, e se houve audiência de custódia.
A cobertura até agora veio de um único veículo regional. Casos parecidos costumam ganhar mais detalhes nos dias seguintes, sobretudo se a vizinha decidir falar publicamente. Por enquanto, o que existe é a versão policial de um idoso de 72 anos, camisa da Juventus e chumbinho na mão.