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Curiosidades · Espaço

Queria ir no espaço: por que o sonho da viagem suborbital virou febre brasileira em 2025

Só dois brasileiros saíram da atmosfera até hoje, mas o turismo suborbital e um desafio online prometem mudar isso. Quanto custa, como funciona e por que tanta gente quer ir.

Publicado em 11 de maio de 2026 · 6 fontes verificadas
Queria ir no espaço: por que o sonho da viagem suborbital virou febre brasileira em 2025
Imagem: Reprodução / Grupo de Estudos Aeroespaciais (GEA)

Olhar pra cima e suspirar "queria ir no espaço" deixou de ser delírio de filme. Em 2025, com voos suborbitais virando rotina e até desafio online sorteando assento de foguete, o sonho ficou mais perto, e mais caro, do que parece.

Dois brasileiros, vinte anos, um desejo coletivo

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Imagem: Olhar Digital

A conta é curta. Em mais de meio século de exploração espacial tripulada, só dois passaportes brasileiros cruzaram a linha de Kármán, a fronteira simbólica dos 100 km de altitude que separa céu de espaço. O primeiro foi Marcos Pontes, em 30 de março de 2006, a bordo da Soyuz TMA-8 rumo à Estação Espacial Internacional. Ele permaneceu oito dias em órbita na chamada Missão Centenário e voltou como o primeiro sul-americano e o primeiro lusófono a sair da Terra, segundo registro do Grupo de Estudos Aeroespaciais.

Depois dele, silêncio de dezesseis anos. O segundo nome só apareceu em junho de 2022, quando o engenheiro mineiro Victor Hespanha embarcou no quinto voo tripulado da New Shepard, da Blue Origin. Foram cerca de dez minutos de voo suborbital, com poucos minutos de gravidade zero, antes da cápsula descer de paraquedas no deserto do Texas. A passagem dele, conta reportagem do Olhar Digital, foi paga com criptomoedas via sorteio promocional, sem desembolso direto do bolso do passageiro.

A distância entre essas duas histórias diz muito sobre por que "queria ir no espaço" virou frase tão repetida no Brasil. Quase ninguém vai. E quem vai, vai de carona improvável.

O preço do passeio de dez minutos

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Imagem: StartSe

A Blue Origin, de Jeff Bezos, não divulga oficialmente o valor das passagens da New Shepard, mas o leilão da primeira poltrona em 2021 fechou em US$ 28 milhões, segundo levantamento da StartSe. Estimativas atuais publicadas por veículos especializados apontam pacotes entre US$ 200 mil e US$ 500 mil para o voo suborbital de Bezos, faixa parecida com a praticada pela Virgin Galactic, de Richard Branson. Já um lugar na cápsula Dragon, da SpaceX, em missão orbital de vários dias, custa dezenas de milhões de dólares por assento.

Uma matéria da Terra resume o cenário: voos suborbitais entregam alguns minutos de microgravidade e vista da curvatura da Terra; voos orbitais entregam dias de permanência em torno do planeta, com preço proporcional. A previsão do setor é de queda gradual de custo conforme as empresas aumentam a frequência dos lançamentos.

Em agosto de 2025, a Blue Origin completou o oitavo voo orbital comercial da New Shepard, levando seis turistas em viagem de cerca de dez minutos, segundo cobertura do SAPO Tek. É essa cadência, quase mensal, que transformou o que era estranheza em rotina noticiosa.

O desafio que pode colocar mais um brasileiro lá em cima

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Imagem: Terra

A novidade mais barulhenta do ano não é o preço, é a porta de entrada. Em outubro de 2025, o Olhar Digital noticiou um desafio online promovido por uma agência privada de exploração espacial, batizada de Space Exploration and Research Agency, que pretende sortear ou selecionar um brasileiro para um voo da New Shepard. O mecanismo funciona via aplicativo interativo, com inscrições abertas a usuários do mundo todo e a promessa de que o vencedor não paga pela passagem.

O formato repete, de certa forma, a lógica que levou Victor Hespanha ao espaço em 2022: prêmio, marketing e cripto no meio do caminho. Na prática, é a maneira que civis sem fortuna pessoal têm encontrado para furar a fila milionária.

Por que essa vontade pega tanto no Brasil

O desejo não é só brasileiro, claro. Mas tem aqui um ingrediente específico. O programa espacial nacional, marcado por orçamentos enxutos e projetos engavetados, nunca colocou um astronauta na ativa em regime permanente. Marcos Pontes voou uma vez, virou ministro, e a Agência Espacial Brasileira seguiu sem treinar um substituto regular. Resultado: cada vez que um foguete decola da Flórida ou do Texas com civis a bordo, o brasileiro médio vê uma porta que, em tese, qualquer um poderia atravessar, se tivesse o cheque ou a sorte certa.

A democratização anunciada pelas empresas de turismo espacial ainda é mais retórica do que prática. Os valores excluem 99,9% da população mundial, e os sorteios são pontuais. Ainda assim, a frequência dos lançamentos, a presença de Hespanha como precedente nacional e o desafio aberto em 2025 mantêm o tema vivo nas conversas de mesa de bar e nos comentários de internet.

No fim, "queria ir no espaço" é meio piada, meio confissão. Vinte anos atrás soava ficção. Hoje, soa como fila de espera muito comprida, com bilhete caríssimo e uma loteria ocasional no meio do caminho.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting: