Toda padaria tem aquele relógio quebrado, toda casa tem aquela almofada de crochê meio torta na poltrona. Mas quem disse que crochê é coisa de mulher? Uma jovem criou um clube de crochê com os amigos do seu pai — e eles adoraram. O vídeo circulating mostra o grupo concentrado nas linhas e agulhas, desconstruindo um estereótipo que ainda persiste no artesanato brasileiro.
O crochê além do gênero
O crochê é uma das atividades artesanais mais praticadas no Brasil, mas historicamente marcada por uma forte associação com mulheres. No entanto, está longe de ser exclusividade feminina. Homens de todas as idades têm descoberto nessa prática não apenas um hobby relaxante, mas uma forma genuína de conexão social.
A criação de um "clube de crochê" envolvendo os amigos do pai de uma jovem ilustra uma tendência crescente: a ressignificação de atividades tradicionais. O que começou como uma brincadeira evoluiu para algo que conquistou o grupo inteiro, mostrando que interesse em artesanato transcende completamente questões de gênero.
Por que crochê atrai tanta gente
Segundo especialistas em comportamento e bem-estar mental, atividades como crochê oferecem benefícios comprovados: redução de ansiedade, estimulação cognitiva e sensação de realização. Um estudo publicado em revista de psicologia mostrou que atividades repetitivas e criativas como tricô e crochê estão associadas a níveis mais baixos de depressão e ansiedade.
A componente social do "clube" reforça ainda mais esses benefícios. Quando praticado em grupo, crochê vira pretexto para conversas, troca de experiências e fortalecimento de laços.
Desconstruindo mitos
A sociedade brasileira, como muitas outras, herdou classificações rígidas sobre o que é "atividade de homem" e "atividade de mulher". Crochê frequentemente caiu na segunda categoria — muitas vezes associado a avós, tias e imagens nostálgicas. Mas essa divisão nunca fez real sentido prático: não existe nada na manipulação de linha e agulha que seja biologicamente feminino.
O que essa iniciativa mostra é que quando a barreira social é removida (nesse caso, pela confiança no ambiente criado pela jovem com os amigos do pai), homens se engajam tão plenamente quanto qualquer outro grupo. A cena de homens concentrados em seus projetos de crochê é simples, mas eficaz em quebrar um preconceito tácito.
Comunidades de crochê em expansão
Comunidades de crochê no Brasil têm crescido nos últimos anos, especialmente em redes sociais. Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube hospedam milhares de conteúdos sobre a prática, atraindo públicos cada vez mais diversos em idade e gênero. A pandemia de COVID-19, em particular, acelerou esse movimento, com mais pessoas buscando atividades manuais e relaxantes durante o isolamento.


