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Buzz · Crime

Amanda, 37 anos, é presa em Joinville após viver 14 meses como criança de 12 com família adotiva em SC

Amanda Maria Souza de Oliveira usava o nome falso de Gabriele, mamadeira, chupeta e cheirinho. A Polícia Civil de SC diz que ela já aplicou golpes parecidos em pelo menos seis estados.

Publicado em 06 de junho de 2026 · 3 fontes verificadas
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Amanda, 37 anos, é presa em Joinville após viver 14 meses como criança de 12 com família adotiva em SC
Imagem: Reprodução / Metrópoles

A história parecia roteiro de filme de terror sobre adoção, e em parte foi inspirada em um: uma mulher adulta, com 14 meses morando como filha adotiva de uma família em Joinville, fingindo ser uma menina autista de 12 anos. A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu Amanda Maria Souza de Oliveira em flagrante na terça-feira, 2 de junho, por estelionato e falsa identidade.

O caso de Joinville

O que se sabe sobre caso de mulher que fingia ser criança de 12 anos
Imagem: Metrópoles · Imagem: Metrópoles

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa em uma casa do distrito de Pirabeiraba, em Joinville, no Norte catarinense. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela vivia havia cerca de 14 meses com uma família local usando o nome falso de Gabriele (em algumas versões, Gabrielle) e se apresentando como uma adolescente de 12 anos.

A história que ela contou para ser acolhida tinha apelo emocional pesado: dizia ter fugido de abusos no Pará, ser autista e ter sido forçada a usar hormônios na infância, justificativa para a aparência adulta. A reportagem do O Tempo, com base na entrevista do delegado Rodrigo Bueno Gusso à TV Globo, detalha que a família comprou a versão e ofereceu casa, comida e cuidados.

Mamadeira, chupeta e "cheirinho"

Polícia de SC prende mulher de 37 anos que fingia ter 12 para enganar família adotiva
Imagem: O Tempo · Imagem: O Tempo

O comportamento infantilizado era parte central do golpe. Amanda usava mamadeiras, chupetas e um objeto que chamava de "cheirinho" para dormir, segundo a Polícia Civil. Pedia colo na hora de dormir e, conforme o portal ND Mais, exercia uma espécie de pressão emocional constante sobre os anfitriões.

Um detalhe ajudou a expor a farsa: toda vez que a família falava em matricular "Gabriele" em uma escola da região, ela entrava em pânico. A justificativa pronta era que o suposto "pai abusador" descobriria seu paradeiro caso ela aparecesse numa instituição de ensino. Ela negou todas as tentativas de matrícula ao longo dos 14 meses.

A festa de 12 anos e o tratamento de obesidade

Mulher de 37 anos que fingia ter 12 anos afirmou ter 'costume de mentir' e já havia enganado ONG
Imagem: Correio 24 Horas · Imagem: Correio 24 Horas

A convivência foi além do abrigo. De acordo com o Metrópoles, os pais adotivos custearam um tratamento para obesidade com tirzepatida, o medicamento injetável vendido comercialmente como Mounjaro. Também organizaram uma festa quando a "menina" supostamente completou 12 anos. Amanda, na verdade, completa 38 anos em 10 de junho.

Outro ponto que travou uma adoção formal foi a recusa dela em aceitar o processo legal. Ao delegado, a família contou que Gabriele alegava medo de que o "pai biológico" descobrisse a tutela e a localizasse. Sem registro oficial, a guarda nunca chegou a ser oficializada na Vara da Infância.

Confissão, prisão e exame de sanidade

A suspeita foi presa em flagrante pela 6ª Delegacia de Polícia de Joinville e, durante o interrogatório, confessou os crimes. Foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville (o ND Mais identifica como Presídio Feminino), onde permanece à disposição da Justiça. Os crimes apurados são estelionato e falsa identidade.

A defesa pediu a realização de exame de sanidade mental para avaliar a condição psicológica de Amanda, conforme apurou a reportagem do ND Mais. O resultado vai influenciar diretamente no rumo do processo.

Não foi a primeira vez

O caso de Joinville se encaixa em um padrão. A Polícia Civil de Santa Catarina afirma que Amanda tem antecedentes em pelo menos seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará. A foto de identificação que circulou nas redes, com o número de matrícula 888221 e o timbre da Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará, é justamente de uma passagem anterior.

Um dos episódios mais documentados, segundo o Metrópoles, ocorreu em 2023, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Lá, ela se apresentou como "Maria Eduarda" e contou a duas mulheres que havia sido vítima de exploração sexual e cárcere privado. Sensibilizadas, elas alugaram um imóvel e bancaram roupas, comida e itens pessoais. O prejuízo foi calculado em cerca de R$ 2 mil. O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Amanda pelo caso.

"Costume de mentir"

Durante o interrogatório em Joinville, Amanda teria admitido aos investigadores que tem "costume de mentir", conforme reportagem do Correio 24 Horas. A mesma matéria registra que, antes de chegar à família catarinense, ela já havia enganado uma ONG, repetindo o esquema da identidade infantil para conseguir abrigo.

A polícia ainda investiga se houve outras vítimas em Joinville e se a rede de pessoas aliciadas ao longo dos anos é maior do que a já mapeada. O paralelo com o thriller hollywoodiano "A Órfã", que circula nos comentários e nas próprias reportagens, ganhou tração porque o enredo é praticamente o mesmo: uma adulta vivendo como criança dentro de uma família que pagou por essa ficção.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting: