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Buzz · Política

Emenda assinada por 176 deputados quer adiar fim da escala 6x1 para 2036 e abrir brecha para jornada de 52 horas

Texto protocolado por Sérgio Turra (PP-RS) cria transição de dez anos para a PEC do fim do 6x1, permite jornadas de até 52 horas via acordo e ainda corta FGTS pela metade.

Publicado em 22 de maio de 2026 · 6 fontes verificadas
Emenda assinada por 176 deputados quer adiar fim da escala 6x1 para 2036 e abrir brecha para jornada de 52 horas
Imagem: Reprodução / Poder360

Enquanto a Comissão Especial da Câmara discute a PEC que enterraria a escala 6x1, um grupo de 176 deputados, em maioria do Centrão e da direita, costurou uma emenda que vai na direção oposta: empurra a redução da jornada para 2036, abre brecha legal para semanas de até 52 horas e ainda enxuga obrigações patronais como FGTS e INSS.

O que está em jogo

Reviravolta no fim da escala 6x1? Emenda de 176 deputados prevê jornada de 52h e corte no FGTS
Imagem: ND Mais · Imagem: ND Mais

A PEC 221/2019, que ficou conhecida como a "PEC do fim da escala 6x1", propõe acabar com o regime de seis dias de trabalho por um de folga e reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas. É a bandeira encampada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e que reúne, segundo levantamentos citados por centrais sindicais, apoio de cerca de 71% da população.

O movimento dos 176 deputados não derruba a PEC. Faz pior, na leitura dos críticos: aceita a redução no papel, mas a esvazia na prática.

Quem assinou e o que diz a emenda

Oposição quer 10 anos de transição para fim da jornada 6x1
Imagem: CNN Brasil · Imagem: CNN Brasil

A emenda foi protocolada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) e reuniu, conforme apurou o Poder360, 176 assinaturas até a quinta-feira (14 de maio de 2026). A base do apoio vem de PL, PP, União Brasil, Republicanos e MDB, segundo a Folha BV.

Os pontos centrais do texto, descritos em reportagens da CNN Brasil e do ND Mais, são:

  • Transição de dez anos. A redução da jornada só passaria a valer dez anos depois da promulgação da PEC, jogando o fim do 6x1 para 2036.
  • Jornada de até 52 horas. Mesmo com o teto fixado em 40 horas semanais, o texto permite que esse limite seja ultrapassado em até 30% por meio de acordos individuais ou coletivos, o que na prática libera semanas de até 52 horas.
  • Lei complementar como gatilho. A redução só entra em vigor depois de uma lei complementar específica, ou seja, depende de mais uma votação no Congresso.
  • FGTS pela metade. Reduz a alíquota patronal do FGTS de 8% para 4% sobre o salário.
  • Isenção de INSS. Cria isenção temporária da contribuição patronal ao INSS para novas contratações.
  • Dedução tributária. Inclui mecanismos de dedução da carga tributária para compensar o setor produtivo.

A justificativa de quem assinou

Com apoio de 176 deputados, emenda propõe adiar fim da escala 6x1 até 2036
Imagem: Folha de Boa Vista · Imagem: Folha de Boa Vista

O argumento da bancada que apoia a emenda, registrado pelo SBT News e pelo Poder360, é que a redução abrupta da jornada teria impacto fiscal e produtivo, especialmente sobre comércio, serviços e pequenos negócios. As contrapartidas em FGTS e INSS seriam, nesse desenho, um amortecedor para empresas absorverem o custo.

O problema, levantado pela CNN, é que parte dessas contrapartidas mexe em receita previdenciária e em recursos do trabalhador, terrenos em que o governo federal já sinalizou resistência.

O outro lado

A reação veio rápido das centrais sindicais e da bancada que defende a PEC original. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e o Sinpro-DF classificaram os signatários como contrários aos trabalhadores e lembraram que a jornada máxima de 44 horas semanais está na Constituição desde 1988. Subir o teto efetivo para 52 horas por meio de acordo, argumentam, é regredir quase quatro décadas de legislação trabalhista.

Erika Hilton, autora da proposta original, foi às redes denunciar a manobra, ressaltando que mais de cem dos signatários são do PL, segundo apuração do Alma Preta.

Onde isso vai parar

A emenda alcançou o número de assinaturas necessárias para tramitar, mas ainda precisa ser apreciada pela Comissão Especial da Câmara que discute a PEC do 6x1. O cálculo político dos dois lados é simples: quem aprovar a versão original do texto, com redução imediata, derruba a escala 6x1 já. Quem aprovar a emenda Turra, posterga a mudança para a década seguinte e, na prática, deixa aberta a porta para jornadas mais longas do que as de hoje.

A disputa pelo voto, agora, é nominal. As listas de quem assinou já circulam.

Fontes

Post original

Esta matéria nasceu deste post do @brazilposting: