O técnico de enfermagem Mayk Leão, 31 anos, mora sozinho com cerca de 280 animais numa chácara isolada em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. No domingo 31 de maio, ele começou a publicar vídeos de luzes piscando na serra, descreveu barulhos estranhos e a cerca elétrica derrubada. Em três dias, ganhou centenas de milhares de seguidores e abriu uma enxurrada de 'novos registros' que continuam circulando pelas redes.
O relato que começou na zona rural de Campo Largo

A cerca de 70 km de Curitiba, Mayk Leão mantém uma chácara que costuma render conteúdos sobre rotina rural, resgate de animais e vida em contato com a mata. No final da manhã de 31 de maio, segundo a reportagem do Olhar Digital, os bichos amanheceram agitados e a cerca elétrica apareceu derrubada na divisa da propriedade. Mayk passou a narrar nas redes que ouvia algo "rosnando" e "estalando" vindo da mata.
À noite, ele gravou com um iPhone 15 luzes piscando no alto da serra, a uns 3 quilômetros da casa, dentro de uma área de mata fechada. Em transmissão ao vivo, ainda descreveu um segundo objeto, que ele estimou em 60 metros de comprimento, com formato de olho e uma esfera vermelha embaixo, passando em silêncio sobre o telhado.
A CNN Brasil e o Correio Braziliense registraram o avanço viral em poucas horas, com ufólogos amadores entrando na conversa e o influenciador acumulando seguidores. Em entrevista à Aventuras na História, Mayk classificou a experiência como "assustadora e bonita".
Os tais 'novos registros': prints do Google Earth e teorias

É aí que começa a parte que merece cautela. Depois que o caso explodiu, surgiram nas redes prints de imagens de satélite do Google Earth com supostos objetos estranhos perto do Rio Tacaniça, em Rio Branco do Sul, também no Paraná. As coordenadas que viralizaram são -25.152888, -49.40775. Segundo o levantamento do Olhar Digital, essas imagens vinham de capturas de 2023, ou seja, estavam lá há anos e só foram "descobertas" agora, no embalo da repercussão.
Na prática, o que se chamou de "mais registros sobre OVNI" não é evidência nova de avistamento, e sim:
- Posts no X com coordenadas e capturas de tela do Google Maps e Google Earth.
- Comparações de internautas tentando casar a localização da chácara com supostas estruturas vistas em imagens de satélite antigas.
- Relatos avulsos de moradores e curiosos da região que passaram a olhar para o céu depois do caso.
Nenhum desses materiais foi autenticado por instituição independente. A própria reportagem do Olhar Digital classifica os achados como especulação de internautas, e não como confirmação técnica.
O que diz a Força Aérea (e a Abin)

No dia 2 de junho, a Força Aérea Brasileira respondeu publicamente. Em nota enviada à revista Veja e republicada pelo Metrópoles, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) afirmou que, no dia 31 de maio, "nenhum objeto foi identificado pelos radares de defesa aérea ou reportado por aeroportos locais com informações de objetos desconhecidos", e que o controle do espaço aéreo ocorreu dentro da normalidade.
A Band Paraná confirmou a posição da FAB e citou também a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre os órgãos consultados sobre o caso. A Tribuna do Paraná reforça que, oficialmente, não há registro em radar compatível com o que Mayk descreve.
Isso não fecha o caso. Radares de defesa aérea têm limites de altitude e cobertura, e luzes a distância podem ter explicações variadas, de drones a aeronaves de pequeno porte voando baixo numa região rural. Mas é o ponto técnico mais sólido até agora, e ele puxa o pé do chão das versões mais extraterrestres que circulam.
Por que o caso virou tão grande

A própria estrutura da história ajuda a viralizar. Tem morador isolado, mata fechada, animais agitados, cerca elétrica derrubada, áudio descrito em detalhe e um personagem que conta tudo em primeira pessoa, no ritmo dos stories. A matéria do DOL e o perfil traçado pela Band Paraná mostram que Mayk não era figura pública até a semana passada, o que reforça a sensação de "cara comum filmando algo estranho".
O efeito colateral é o que se vê agora: cada nova captura de tela do Google Earth, cada coordenada compartilhada e cada relato de "vizinho que também viu" entra na conta como se fosse confirmação. Não é. Até que apareça material verificável de fonte independente, o que existe é um caso aberto, com depoimento do influenciador de um lado e a Força Aérea dizendo, do outro, que não houve registro em radar.
Fontes
- OVNI no Paraná: coordenadas do Google viralizam após influencer intrigar redes — Olhar Digital — 2026-06-04
- O que diz a FAB sobre vídeo de suposto OVNI no Paraná — Metrópoles — 2026-06-02
- Influenciador mostra OVNI no interior do Paraná e viraliza: 'Medo' — CNN Brasil — 2026-06-02
- Influenciador que registrou OVNI no Paraná comenta avistamento: 'assustador e bonito' — Aventuras na História — 2026-06-03
- Influenciador publica vídeo de suposto Ovni em Campo Largo; FAB emite nota sobre o caso — Tribuna do Paraná — 2026-06-02