A folha timbrada da Secretaria Municipal de Saúde de Alagoinha, no Agreste pernambucano, traz, em letra apressada, a prescrição de "3 horas de buc3ta por 9 meses, se necessário", com a observação "bem molhadinha". A imagem viralizou nas redes em maio de 2026, e o desfecho saiu rápido: duas estagiárias desligadas do estágio depois que a Secretaria de Saúde concluiu a sindicância.
O que dizem as fontes oficiais

A Secretaria Municipal de Saúde de Alagoinha abriu um procedimento interno assim que o papel começou a circular na internet. Segundo a apuração relatada pela Metrópoles, o documento foi produzido por duas estagiárias do curso técnico de enfermagem, sem autorização e sem o conhecimento da técnica de enfermagem cujo nome estava no carimbo. As duas foram desligadas automaticamente do campo de estágio quando a comissão de sindicância encerrou os trabalhos.
O Em Tempo acrescenta um detalhe importante para entender o caso: a secretaria informou que a receita "não tinha validade técnica nem administrativa". Ou seja, o papel nunca funcionou como prescrição de verdade, embora tenha sido feito em formulário oficial.
A versão das estagiárias: "brincadeira"

Quando foram chamadas para depor, as estudantes admitiram a autoria e disseram que a prescrição foi escrita em tom de brincadeira entre colegas. O problema é que uma delas decidiu fotografar o papel e publicar nas próprias redes sociais, segundo apuração da Metrópoles. O conteúdo escapou do grupinho fechado, ganhou prints, perfis de humor, listas de "absurdos do dia" e acabou parando na pauta da própria Secretaria de Saúde.
Não há, nas reportagens, indicação de que algum paciente real tenha recebido a folha em mãos como se fosse uma orientação médica de verdade. A circulação se deu pelas redes, não no balcão do posto.
Por que o desligamento foi automático

Dois pontos pesaram contra as estagiárias na sindicância:
- O uso do carimbo de uma profissional sem que ela soubesse, o que configura, na prática, falsificação de assinatura funcional em documento de órgão público de saúde.
- O formulário usado era papel timbrado oficial da Secretaria Municipal de Saúde, com identidade visual da prefeitura.
Mesmo com a justificativa de brincadeira, a combinação dos dois fatores transforma um meme de WhatsApp em algo bem mais sério do ponto de vista administrativo. Por isso o desligamento aconteceu de forma imediata, assim que a comissão entregou o relatório final, conforme registrou também o Alagoas 24 Horas.
A linha entre humor de plantão e quebra de protocolo

O humor escatológico e sexual circula faz tempo nos bastidores da saúde pública brasileira, de plantão de pronto-socorro a estágio em UBS. A diferença, neste caso, foi o suporte: um papel oficial, um carimbo alheio e o reflexo de postar. Funcionários públicos, estagiários incluídos, respondem por aquilo que assinam ou carimbam, mesmo que de mentirinha, quando o suporte é institucional.
A Secretaria de Saúde de Alagoinha, por sua vez, encerrou o caso sem identificar publicamente as estudantes e sem comunicar instauração de processo penal, segundo o material já publicado pelas redações que cobriram o desfecho. O que ficou foi o registro da sindicância, o desligamento e uma lição cara sobre o que dá e o que não dá para tratar como brincadeira dentro de um posto de saúde do SUS.
Fontes
- "3h de buceta": estagiárias são "desligadas" após polêmica em receita — Metrópoles — 2026-05-21
- Estagiárias dizem que receita com "3h de buceta" era "brincadeira" — Metrópoles — 2026-05-21
- Estagiárias são desligadas após prescreverem "3h de buceta" em receita médica — Em Tempo — 2026-05-21
- Estagiárias são demitidas por indicarem "3 horas de buce**" em receita — Alagoas 24 Horas — 2026-05-21